A Alma Cinza

04/05/2010 0 Por Fernando de Oliveira

A alma voava longe, bem mais alto que as nuvens
Olhava para os telhados e ria de quem trabalhava
Assumia formas diferentes, fazia piruetas improváveis
Sempre com um sorriso nos lábios

A alma, sempre impossível de ser tocada, viajava
A alma, sempre improvável, se desviava, se desapegava
A alma, continuava seu voo só, olhando tudo de longe

Nuvens cinzas, gaviões famintos
Ventos frios, mentes magras

As mutações aceleravam, as intransigências também
A arrogância se fortalecia e a alma escondia tudo sob um ar maroto

A alma procurava um parceiro, mas sem querer dar espaço
Buscava outra alma para poder se consolar
Perdia o controle controlando tudo

A alma voava longe, com seus tons de cinza