Ingenuidade ou vida adulta? O que você prefere?

12/09/2009 0 Por Fernando de Oliveira

Outro dia Joaquim Ferreira dos Santos escreveu em sua coluna no O Globo que preferia os Beatles da fase iê-iê-iê àqueles que criaram as canções de Revolver, Sgt. Pepper’s, Álbum Branco e Abbey Road. Dizia ele que a alegria, o bom humor e otimismo dos primeiros anos eram muito mais importantes que o pseudo intelectualismo de meados e fim dos anos 60.

Essa disputa serve para ilustrar mais que a música do grupo, serve para ilustrar a vida. A inocência dos primeiros anos, onde quase tudo é novidade e diversão se transforma inexoravelmente para tensão, desilusão, responsabilidades e sabedoria. Vida adulta.

A publicação inglesa New Musical Express resolveu fazer uma votação para que os internautas escolham a melhor canção dos Fab Four. Assim como na vida, preferimos a fase adulta, com o frescor da juventude. Preferimos algo que nos faça pensar e consiga arrancar sorrisos. Por conta disso, até o momento que esse texto era escrito, as canções que estavam liderando a votação eram da fase intelectual: A Day in the Life, Strawberry Fields Forever, Here Comes the Sun, I Am the Walrus e Something.

Usar o talento e belas palavras para descrever as alegrias da juventude é algo que o Joaquim faz com maestria. Eu, que apesar de já ter passeado por terrenos que ele hoje domina com boa performance e que hoje sou um mero espectador/leitor esperançoso por um esbarrão, faço meu singelo contra-ponto. Maturidade é bom demais, principalmente se puder ser misturada a uma certa criancice e irresponsabilidade em doses aceitáveis.

O NME também pede que escolham o melhor álbum do grupo. Novamente a fase adulta ganha.

Voltando à vida, é claro que gostaríamos de ter nossos 20 anos para sempre. Poder ver o mundo sempre com olhos de primeira vez. Infelizmente os reveses são imparáveis. Todos temos nossa era psicodélica e todos temos nossos momentos de ruptura. Sempre nos alimentamos (alguns preferem comemos) de experiências e fazemos de tudo para manter um pouco daquele frescor lá do início, que é apenas uma maneira de não deixarmos de ser nós mesmos.

Sim, a fase adulta é melhor. Podemos até pensar e executar atos apenas pelo prazer dos mesmos sem nunca precisar se preocupar em repetir. Não é mesmo?