Austrália, a grande furada

22/01/2009 3 Por Fernando de Oliveira

australia_3Desde que era um adolescente que tenho problemas com filmes de mais de 3 horas.  Foi nesta época que fui assistir Tess (1979), que apesar de contar com o melhor produzido pelo astro Klaus Kinski – a sua lindíssima filha Nastassja Kinski – e ser dirigido pelo bom Roman Polanski, conseguiu a proeza de me fazer dormir em uma sala de cinema pela primeira vez. Depois dele, vieram Reds e Na Época do Ragtime, ambos de 1981 e também devidamente chatos. Desde então, fujo dessas produções.

O grande problema dessas verdadeiras maratonas cinematográficas é que os filmes parecem ambiciosos demais, com cenas longas demais, subtramas desnecessárias e valorização de qualquer detalhe para justificar sua duração.

Todo este nariz de cera foi para introduzir Austrália, filme de três horas, contanto a saga de uma dondoca inglesa (Nicole Kidman – que é australiana) que vai até o continente atrás de seu marido, que cria gado e está lutando contra um impiedoso barão do gado (Bryan Brown, também australiano, astro de FX, assassinato sem morte) e que encontra no atlético e solitário cowboy responsável por transportar o gado (Hugh Jackman, o Wolwerine dos X-Men, e que, claro, é australiano) o amor da sua vida, após o assassinato do marido.

Grande parte dessa ‘história’ é contada através dos olhos de um menino aborígine mestiço, que parece uma espécie de Crocodilo Dundee miniatura –  Aliás, porque Paul Hogan não participa desse filme onde a Meca australiana está reunida? -, dando um certo tom caricato, onde, imagino, queriam ‘pintar’ o retrato das tradições nativas do continente.

australia01Olhar para os lábios inchados de botox (a testa totalmente esticada) da uma vez linda Nicole Kidman, já assusta um pouco. Ver cenas onde Jackman está suado ou se banhando, também. Mas, o pior mesmo é constatar que com 40 minutos você já sabe o que vai acontecer e que vai passar as próximas 2h20 torcendo para que esteja errado e que o filme o surpreenda. Infelizmente,  o filme é aquilo mesmo: um enorme amontoado de cenas onde areia, poeira, sol, campos desertos, rios e outras paisagens tentam mostrar a ‘grandeza’ do lugar, com romance e drama inseridos em doses cheias de açúcar.

É constrangedor ficar observando quantos celulares e relógios são consultados por minuto, para saber o quanto ainda vai durar o sofrimento (lembrando que, como estava em uma cabine para jornalistas, não tinha a opção de sair mais cedo).

Fiquei três horas preso dentro do cinema e me senti no direito de escrever esse longo texto. Agora, se tiver a chance, FUJA dessa roubada, a não ser que esteja sofrendo de insônia.

Podia colocar o trailer aqui, mas acho que nem eu nem vocês precisamos disso.

Consegui me livrar de escrever sobre esse filme no jornal (papel). No lugar dele, sai a crítica sobre Segredos do Amor, uma comédia romântica bem menos ambiciosa.

PS: A omissão dos créditos de direção e fotografia é proposital.