Steve Hackett – Vivo Rio – 23-03-2018 – O lado progressivo do Genesis

A música do Genesis parece mesmo estar em conjunção com o Brasil. Depois da visita e do lançamento da biografia de Phil Collins, que apresentou alguns dos sucessos da fase pop do grupo, outro ex-integrante da banda se apresentou no Rio: o guitarrista Steve Hackett (que esteve no Genesis até 1977) é um dos pilares que fez do grupo um dos ícones do rock progressivo dos anos 70. O show de Hackett, que faz parte do Top Cat Concert Series, projeto iniciado ano passado, que trouxe Renaissance e 10.000 Maniacs ao Brasil e que ainda vai proporcionar aos cariocas shows de Carl Palmer (25 de maio) e do grupo Pemiata Forneria Marconi (21 de abril), sempre no Vivo Rio – também haverá apresentações dos artistas em Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

Começando pontualmente – com meros dez minutos de atraso – Hackett, simpático e até arriscando algumas palavras e frases em português, deu a maioria do público que praticamente lotou o Vivo Rio o que ele queria: música de qualidade, um show de técnica e uma chance de voltar para um tempo onde a música era bem mais complexa, em uma apresentação de mais de 2h30.

Seguindo à risca o roteiro do show anterior (em São Paulo), Hackett e banda – competentíssima – Roger King (teclados), Gary O’Toole (Bateria e percussão), Rob Townsend (saxofones e flautas), Jonas Reingold (baixo e violão de 12 cordas) e Nad Sylvan (vocais – emulando muito bem os timbres de Peter Gabriel) passaram por todas as fases da carreira do guitarrista, deixando, como não poderia de ser, suas canções da fase do Genesis para o final de tirar o fôlego de todos os que gostam de rock progressivo.

Depois de assistir, em menos de seis meses, dois ícones do progressivo – Yes (com Rick Wakeman) e, agora, Hackett) – fica claro que sempre vai haver espaço para música de boa qualidade. Pode ser que não se vendam mais milhares de discos, está claro que canções de 12 minutos não tocavam e continuarão a não tocar nas rádios, mas ouvir arranjos intrincados e cuidadosamente pensados, dá outro sentido ao prazer de ouvir música.

Com um domínio absurdo da guitarra e de seus recursos, Steve Hackett pode até não passar a emoção alcançada por alguns guitarristas de blues, por exemplo, mas retira do instrumento sons limpos e que fazem a viagem musical chegar longe.

Hoje (24 de março) Hackett se apresenta no Teatro Municipal de Niterói, um dos lugares mais bonitos do Rio (e do Brasil) para espetáculos. Imagino que o clima mais aconchegante do teatro pode criar uma atmosfera muito mais propícia para a sua música que o Vivo Rio que, apesar de ser uma ótima casa, sofre com a má educação do público.

No show de ontem, foi inacreditável a quantidade de gente que levantou no meio do show. Dava a impressão de que estavam bebendo cerveja demais ou estavam de saco cheio achando que veriam canções da fase pop do Genesis ou então que a comida servida estava estragada e as idas ao banheiro eram inevitáveis.

De qualquer forma, é muito bom ver que o rock (não importa a vertente) ainda é capaz de levar, apesar dos preços, um ótimo público aos palcos do Rio, ajudando a livrar a cidade da ditadura do samba e da bossa nova.

PS: Agora resta esperar o fim da turnê de Collins e a decisão dos membros do Genesis sobre uma turnê em comemoração aos 50 anos da banda.

Setlist

Please Don’t Touch
Every Day
Behind the Smoke
El Niño
In the Skeleton Gallery
When the Heart Rules the Mind
Icarus Ascending
Shadow of the Hierophant
Dancing With the Moonlit Knight (Genesis song)
One for the Vine (Genesis song)
Inside and Out (Genesis song)
The Fountain of Salmacis (Genesis song)
Firth of Fifth (Genesis song)
The Musical Box (Genesis song)
Supper’s Ready (Genesis song)

Bis:
Los Endos (Genesis song)

PS”: Há um código para a compra de ingressos com desconto (ROCKPROGRESSIVO). Aproveitem.

Fotos: Fernando de Oliveira
Vídeo: Jo Nunes

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3 comentários em “Steve Hackett – Vivo Rio – 23-03-2018 – O lado progressivo do Genesis”

  1. Parabéns pelos comentarios Fernando. Realmente o publico que tem ido ao Vivo Rio é muito mal educado. As pessoas comportam-se como se estivessem em um restaurante comemorando. No ultimo show do Renaissance houve brigas e o show chegou ser interrompido. Concordo que a apresentação em Niterói deve ser muito mais especial. Gostaria de ir também (fui ontem) mas os ingressos esgotaram.

    Mauricio Lucca

    Curtido por 1 pessoa

  2. Show maravilhoso, mas a impressão que tive sobre o Vivo Rio foi a mesma que você. Lamentável a atitude do público. Eu vi o mesmo cara passando em minha frente umas 4 vezes. E olha que não era nenhum idoso. Sem contar os garçons. Vivo Rio pra mim agora só se for no camarote ou embaixo sem as malditas mesas que, a depender do lugar onde você estiver sentado, é puro sofrimento.

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