A cultura da reação

27/06/2013 0 Por Fernando de Oliveira

Boate KissImpressionante como em nosso país o conceito de prevenção parece não ter nenhum prestígio. Ontem completou-se cinco meses da tragédia acontecida na Boate Kiss, no Rio Grande do Sul e até agora quase nada foi esclarecido e ninguém efetivamente punido. Pior, a onda de fechamentos de teatros e casas de show que se sucedeu após o acontecimento já caiu no esquecimento. Ninguém (população e imprensa) parece ter interesse em averiguar o estado real dos locais que abrigam nossas horas de lazer.

Mais recente ainda é a onda de atitudes em relação a tarifas e contratos de concessão de transportes urbanos. A tão falada mobilidade urbana – que popularmente é conhecida como condução – passou a ser pauta prioritária na agenda de todos os governantes. Alguns, de maneira oportunista e com uma tremenda cara de pau – como o governador de São Paulo que, por coincidência, já que pensava nessa ação desde o primeiro dia de seu mandato, conseguiu revogar o aumento dos pedágios nas estradas estaduais – passaram a descobrir fórmulas mágicas para revogar majorações e melhorar a qualidade do serviço. O que estão prometendo criar de comissões e grupos de estudo para analisar o sistema de transportes de estados e municípios é uma coisa impressionante! Se vai funcionar ou cair no esquecimento, só depende de nós.

Congresso-Nacional1Outro bom exemplo de reação é a celeridade com a qual o nosso Congresso passou a votar questões críticas para quem foi protestar nas ruas e para todos os que veem o que os nossos bravos parlamentares fazem. Votar a queda da PEC 37, o projeto de lei que torna a corrupção crime hediondo e o fim (parcial, claro) do voto secreto. Há leis e projetos que tramitam por anos, sempre ficando esquecidos no fundo de alguma gaveta, mas é só uma crise explodir ou a pressão popular aumentar que tudo parece ficar mais fácil para que a nossa classe política tome posições corretas e ligeiras.

A eficácia dessas aprovações ainda é uma grande interrogação – só mesmo o tempo dirá -, mas, apesar do caráter oportunista e da falta de vergonha em tentar ganhar algum lucro eleitoral, o efeito é, pelo menos inicialmente, bom. Agora, resta conseguirmos que as coisas andem sem que seja preciso um clima de revolta nas ruas para acelerar as coisas.

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