Os 50 anos dos Rolling Stones

27/09/2012 0 Por Fernando de Oliveira

A maior banda de rock do mundo. Este é apenas uma das muitas definições que caracterizam os Rolling Stones e que prometem aos fãs uma comemoração de primeira, com uma nova coletânea, novas canções e até a possibilidade de uma turnê. Formado há 50 anos pelos amigos Brian Jones (guitarra), Ian Stewart (piano), Mick Jagger (vocais e gaita), Keith Richards (guitarra e vocais), Bill Wyman (baixo) e Charlie Watts (bateria), e que entre brigas, mortes, problemas financeiros, traições e muitas drogas, continua na ativa. Na verdade, Watts só entrou oficialmente para o grupo em janeiro de 1963, o que justifica a comemoração tanto em 2012 quanto em 2013.

Mas nada da história da banda se pareceu com um mar de rosas. O início da carreira foi, como para muitos grupos ingleses da época, difícil. Ian Stewart foi retirado da formação oficial (embora continuasse como membro da banda, recebendo o mesmo que os demais músicos) por não ser bonito o suficiente e a mistura de blues e rock tanto trazia popularidade quanto alimentava a imagem de bad boys.

Apesar de mais tarde formar (com os Beatles e o The Who) a Santa trindade do rock inglês e de uma bastante propagada competição com os Rapazes de Liverpool, essa possível animosidade entre as bandas nunca aconteceu. Na verdade, foi George Martin (produtor dos Beatles) quem indicou a contratação da banda pelo selo Decca, o mesmo que havia rejeitado os Fab Four, e um dos primeiros sucessos dos Stones – I Wanna Be Your Man – foi composto por John Lennon e Paul McCartney, embora também tenha sido gravada pelos Beatles, com o vocal do baterista Ringo Starr.

Foi nessa primeira fase – que durou até 1969, quando morre o guitarrista Brian Jones – que a banda criou alguns dos seus maiores sucessos como Time Is On My Side, Let’s Spend The Night Together, Under My Thumb, Lady Jane, Ruby Tuesday, Jumpin’ Jack Flash, Sympathy for the Devil e a clássica (I Can’t Get No) Satisfaction, que foi o seu single a chegar ao topo das paradas e é até hoje sua canção mais popular.

Foi também nessa época (1967) que começaram os problemas dos Stones com as drogas e a Justiça. Jones, Jagger e Richards foram processados e os dois últimos foram condenados e chegaram a ser presos por posse e uso de drogas. Embora tenham ficado encarcerados por apenas um dia, o episódio marcou a carreira dos músicos e trouxe uma série de problemas com a polícia que duraram anos.

Brian Jones, Mick Taylor e Ron Wood

O envolvimento de Brian Jones com as drogas, que estavam cada vez mais afetando seu desempenho nos palcos, a perda da namorada para o companheiro Keith Richards e a impossibilidade de conseguir um visto para entrar nos Estados Unidos, fatos que culminaram na saída do guitarrista da banda. Menos de um mês depois de deixar os Stones (em 1969), Brian foi encontrado morto, afogado na piscina de sua fazenda.

Mas nem mesmo com a morte do ex-companheiro parou os Stones. Dois dias após o evento, a banda subiu ao palco montado no Hyde Park, em Londres, e, diante de cerca de 250 mil fãs apresentou seu novo membro, o guitarrista com formação bluseira Mick Taylor. Foi também nesta época que aconteceu um dos episódios mais tristes da história dos Stones. A morte de um fã durante um de seus concertos, depois que os Hells Angels – um grupo de motoqueiros que atuou como seguranças – o espancaram por estar supostamente armado. Tudo documentado no filme Gimme Shelter.

Apesar de muitos considerarem Jones a principal força criativa dos Stones, a dupla Jagger e Richards mostrou que poderia levar o grupo adiante. Desta fase saíram canções como Honky Tonk Women, You Can’t Always Get What You Want, Brown Sugar, It’s Only Rock ‘n Roll (But I Like It) e a balada Angie, que abriu novas plateias para a banda.

Apesar do sucesso, a banda passava por problemas financeiros, agravados pelos altos impostos ingleses. Esses fatores fizeram com que a banda resolvesse mudar seu domicílio para a França, onde gravaram Exile on Main St. (1972), para muitos o seu melhor trabalho.

Pouco depois do lançamento do disco It’s Only Rock ‘n Roll (1974), a relação entre Taylor e o resto da banda já estava bastante deteriorada. Além disso, os problemas legais que dificultavam a banda de fazer uma turnê de grande escala e o crescente uso de drogas (principalmente por parte de Keith Richards), que afetava o processo criativo e produtivo da banda fizeram com que ele largasse o barco.

Com uma vaga na banda, Jagger, Richards & Cia decidiram testar alguns guitarristas sem que eles soubessem que estavam sendo considerados para integrar a banda. Nomes como Jeff Beck, Peter Frampton e o bluseiro Rory Gallagher, fizeram audições com a banda, sem serem ‘aceitos. Com isso, o próximo disco – Black and Blue (1976) – foi gravado com músicos de estúdio. Somente depois do lançamento do LP que Ron Wood – que já havia tocado e contribuído com os Stones na canção It’s Only Rock ‘n Roll (But I Like It), na qual também é co-autor, e que já havia recusado um convite anterior, quando preferiu ir para o Faces – foi finalmente recrutado.

Mas essa não foi a última mudança na formação da banda. Apesar de se manterem na ativa e produzindo sucessos estrondosos como Start Me Up, Miss You, Far Away Eyes e Emotional Rescue, em 1993, Bill Wyman anunciou sua aposentadoria. Dessa vez, porém, o seu substituto ( Darryl Jones)não foi oficialmente incorporado a banda. Ele e outros músicos, como o tecladista Chuck Leavell e o saxofonista Bobby Keys são figuras recorrentes nas turnês do grupo, mas nunca foram considerados integrantes oficiais.

Se os Stones continuaram a arrastar multidões aos estádios de todo o mundo, fica claro que, a partir da saída de Wyman o pico criativo já não era o mesmo e os discos foram ficando cada vez mais raros e menos inspirados.

Os Stones e o Brasil

Ao contrário da maioria dos astros dos anos 60 e 70, os Rolling Stones sempre tiveram uma boa ligação com o Brasil. Foram várias as passagens do grupo pelo país, que renderam frutos como a inspiração para Paint in Black – com a batida tirada de algum centro de umbanda – ao histórico show na Praia de Copacabana, em 2006, que reuniu 1,5 milhão de pessoas nas areias da orla da Zona Sul do Rio e foi imortalizado no DVD The Biggest Bang. Há até mesmo um livro sobre o assunto que já foi publicado no país.

A primeira visita de um Stone pelo brasil foi em 1968, quando Jagger, Richards e suas respectivas namoradas passaram o réveillon no Rio de Janeiro – quando teriam ouvido a batida que deu origem a Paint in Black. Nas décadas seguintes Jagger visitou o Rio, mas foi só em 1992 que o público brasileiro pôde ver um dos músicos da banda em ação: Charlie Watts, em 1992, se apresentou com sua banda de jazz, o Charlie Watts Quintet, que no Rio se apresentou no Canecão.

O tão esperado primeiro show dos Rolling Stones no Brasil só aconteceu em 1995, no falecido Hollywood Rock. Depois disso, voltaram em 1998 e 2006. Mas, além da ligação musical com o país, ainda há uma ligação de sangue: o filho de Mick Jagger com a apresentadora Luciana Gimenez.

As datas da provável turnê – fala-se na participação de Bill Wyman em algumas apresentações – ainda não foram divulgadas. Resta torcer para que o Brasil seja incluído no roteiro.

Discografia completa

Discos de estúdio

The Rolling Stones (1964, UK)
The Rolling Stones No. 2 (1965, UK)
Out of Our Heads (1965, UK)
Aftermath (1966, UK)
Between the Buttons (1967, UK)
Their Satanic Majesties Request (1967)
Beggars Banquet (1968)
Let It Bleed (1969)
Sticky Fingers (1971)
Exile on Main St. (1972)
Goats Head Soup (1973)
It’s Only Rock ‘n Roll (1974)
Black and Blue (1976)
Some Girls (1978)
Emotional Rescue (1980)
Tattoo You (1981)
Undercover (1983)
Dirty Work (1986)
Steel Wheels (1989)
Voodoo Lounge (1994)
Bridges to Babylon (1997)
A Bigger Bang (2005)

Discos ao vivo

1966     Got Live If You Want It!
1970     Get Yer Ya-Yas Out! The Rolling Stones in Concert
1977     Love You Live
1982     “Still Life” (American Concert 1981)
1991     Flashpoint
1995     Stripped
1996     The Rolling Stones Rock and Roll Circus – gravado em 1968
1998     No Security
2004     Live Licks
2008     Shine a Light

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Uma versão editada deste post foi publicado no jornal O Fluminense

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