Cerveja é cerveja, vinho é vinho

26/07/2011 0 Por Fernando de Oliveira

Cervejas têm o seu valor. São deliciosas (muitas) e bastante democráticas (principalmente nos preços0. Bem, pelo menos a maioria ainda é. Hoje, há uma moda de cervejas premium, gourmet e outras expressões, que fazem a bebida chegar a ter preços altíssimos e requintes que chegam a lembrar os mais sofisticados vinhos.

Logo agora que os vinhos estão se popularizando, as cervejas parecem querer deixar o povão.

Leia a matéria publicada na Veja Rio.

Cervejas nobres chegam às importadoras com preço de vinho de primeira linha

O ritual lembra a degustação de um vinho raro. Carregada cuidadosamente pelo garçom, a garrafa chega à mesa com temperatura de 7 graus, nem mais, nem menos. Aberta, é servida entre os convivas em taças alongadas de cristal. A bebida em questão não leva uvas em sua formulação, mas sim cevada e lúpulo, e é proveniente de uma cidadezinha litorânea no nordeste da Escócia. Batizada como BrewDog Sink The Bismarck (uma homenagem ao cruzador alemão afundado pelos ingleses na II Guerra Mundial), a cerveja carrega o título de mais cara da cidade do Rio de Janeiro. Cada garrafa, de 330 mililitros, custa inacreditáveis 699,90 reais.

Assim como acontece com a marca escocesa, uma série de novidades tem animado os apreciadores de cervejas finas. Quase todas carregam histórias tão instigantes quanto o sabor que apresentam. A belga Gouden Carolus Cuvee Van Keizer Blauw é feita uma única vez por ano, no dia 24 de fevereiro, em honra ao aniversário do imperador Carlos V, que reinou sobre a Europa Central no comando do Sacro Império Romano entre 1519 e 1556. Apenas 312 unidades são fabricadas nessa ocasião e despachadas para distribuidores de todo o mundo. Por aqui cada garrafa de 750 mililitros sai por 299,90 reais. A também belga Deus, de 249,90 reais, e a alemã Infinium, de 199,90 reais, incorporam técnicas vinícolas, como o método champagnoise, que lhes conferem sabor levemente adocicado e aroma cítrico.

As cervejas de primeiríssima linha fazem parte de um fenômeno que tem ampliado os limites do universo cervejeiro. Ele começou com a chegada de variedades que iam além da pilsen tradicional, como as feitas de trigo, as ale e stout e as do tipo abadia — tanto nacionais quanto importadas. Desdobrou-se em novos hábitos, como o interesse pela produção artesanal da bebida, no fundo do quintal ou na cozinha do apartamento, e pelas degustações de marcas importadas em bares especializados. O próprio Delirium Café, em Ipanema, aberto há onze meses, é uma franquia de uma rede criada em Bruxelas presente em sessenta países. Ligada à cervejaria Huyghe, dona da marca Delirium Tremens, ela se orgulha de oferecer em sua sede 2 004 rótulos diferentes. Por aqui, são 300. Não deixa de ser um bom começo.

Fonte: Veja Rio