Caixa de 40 anos do disco Layla faz a festa dos colecionadores

29/04/2011 3 Por Fernando de Oliveira

Layla and Other Assorted Love Songs é daqueles discos básicos, que estão em todas as listas dos melhores de todos os tempos. Layla juntou o melhor de Eric Clapton com o melhor de Duanne Allman – líder do Allman Brothers. Na época (1970), Clapton já tinha passado pelos Yardbirds, John Mayall & Bluesbrakers, Cream e Blind Faith. O guitarrista procurava ser apenas mais um, um membro de uma banda e não o astro principal.

Eric estava apaixonado pela mulher do amigo George Harrison e experimentava todas as drogas que passavam pela sua frente. Musicalmente, estava num nível onde só perdia para Jimmy Hendrix. Foi nesse cenário que criou o Derek and the Dominos, com Carl Radle (baixo), Jim Gordon (bateria) e o parceiro Bobby Whitlock (teclados). Poderia contar novamente toda a história, mas é bem melhor lê-la no ótimo livro que integra a versão Super Deluxe, vendida apenas no exterior, já que no Brasil foi lançado apenas o CD duplo comemorativo, com a nova masterização e com várias – e ótimas – faixas bônus.

Mas a pergunta que fica é: Vale à pena comprar a caixa Super Deluxe ou é apenas para colecionadores? A resposta é SIM, para as duas perguntas. Quem é fã do disco e já tem alguma idade, já deve ter a caixa comemorativa dos 20 anos do lançamento do disco. Naqueles 3 CDs, encontrávamos uma versão remixada do álbum, jams e outtakes. Portanto, é mais que lógico que fique a curiosidade sobre o que mais poderiam descobrir para que esse projeto valesse a pena, ainda mais se levarmos em conta que algumas raridades já haviam sido lançadas na longínqua (e também excelente) caixa Crossroads, de 1988.

A nova versão de Layla (4 CDs e um DVD de áudio) é um complemento perfeito para os completistas e colecionadores e um ótimo presente para quem apenas gosta de boa música. Para começar, o disco foi remasterizado, ficando léguas a frente da versão remixada da caixa de 20 anos. Além disso, há a versão completa dos shows do Filmore – que já renderam alguns lançamentos, sempre incompletos – e as mixagens 5.1. A cereja do bolo são os outtakes, também remixados, maiores e melhores do que as versões lançadas anteriormente, além da canção Got To Get Better In A Little While, que faria parte do segundo disco do grupo (nunca lançado) e que ficou incompleta por 40 anos. Só em 2010, Bobby Whitlock entrou em estúdio e gravou voz e teclados.

Também há o disco na sua forma original (vinil duplo), além da embalagem com a capa em uma espécie de 3D, um boton, algumas reproduções de tickets de concertos dos Dominos e o livro de 48 páginas, excelente, contando e contextualizando a história da criação e gravação do disco, usando ótimas fontes para a formatação do texto.

Confesso que fiquei tenso ao comprar essa caixa. Vários consumidores ingleses haviam relatado problemas com os vinis (com marcas de dedos e arranhados), com o DVD (inusável e com cola na embalagem), falta de itens e botons quebrados. Esses problemas fizeram com que a gravadora recolhesse a primeira leva de caixas (que só agora está sendo lançada nos Estados Unidos). Se os ingleses tiveram problemas, como será que chegaria um produto despachado para o Brasil? Foi com essa tensão que abri o pacote e…TUDO ESTAVA PERFEITO. Vinis, CDs, DVD, boton, etc. Ufa!

Quem não quiser gastar os quase R$ 200 (já incluídas as despesas postais) pode ficar com a versão lançada no Brasil, que já é um upgrade gigantesco em relação aos CDs que existem no mercado.

Os pontos altos da caixa são: Thorn Tree In The Garden, Bell Bottom Blues e Little Wing, que ganharam muito sonicamente, mas mantendo toda a sonoridade e características do vinil original; Evil e Got To Get Better In A Little While, nos outtakes; e os dois CDs ao vivo.

PS: Os vinis ainda estão virgens. Aviso quando colocá-los para tocar.

PS”: Se quiser comprar, é só seguir este link.