America e Chicago – HSBC Arena – 25/09/10

05/10/2010 2 Por Fernando de Oliveira

Um show pela metade

Agora que a poeira baixou e as bandas já foram para longe (Austrália) vale o relato sobre o show. America e Chicago, dois nomes fortes dos anos 70, uniram forças para uma série de espetáculos. O show do Rio, na longínqua Arena HSBC, num sábado à noite, prometia. Porém, logo ao entrar na Arena veio a primeira decepção: as máquinas de cartões de crédito e débito dos quiosques que vendiam camisetas das bandas não estavam funcionanndo. Sorte que as únicas de um tamanho decente eram do Chicago.

Com uma configuração que pareceu ainda mais modesta que a usada por Peter Frampton, com menos lugares e mesas e preços mais em conta, era possível prever casa cheia. Não foi o que aconteceu. Encheu bem, mas não estava lotado.

Enfim começa o que imaginava seria uma maratona de nostalgia musical. O início do show do America, banda que emplacou uma série de sucessos e foi produzida pelo ‘beatle’ George Martin, teve direito a um vídeo com cenas da trajetória da banda, que completa 40 anos de estrada. Muito bom! Logo de cara eles já tascaram Tin Man, um de seus grandes hits, deixando os casais de meia idade felizes. Depois disso, com muita simpatia, Gerry Beckley e Dewey Bunnell seguiram com um set justo, bem ensaiado e que funcionou. Impossível não se emocionar com I Need You, Only in Your Heart ou A Horse With no Name.

A partir dai a noite mudou de rumo. O climão anos 70 que embalava grande parte dos casais de meia idade – maioria nos lugares mais caros da Arena – foi pelo ralo. O Chicago, que todos lembravam de baladas como If You Leave Me Now e Hard To Say I’m Sorry, entrou em cena com um naipe de metais e uma série de (longos) números instrumentais, mais chegados aos ritmos latinos (como a rumba) do que aos beijos e abraços. O público sentiu o baque e era fácil ver a quantidade de olhares surpresos sendo trocados.

Para piorar, a falta de Peter Cetera – vocalista e baixista original da banda – foi extremamente sentida por todos. Não apenas porque o timbre de sua voz é bastante singular, mas, principalmente, porque os substitutos escolhidos para interpretar as canções estiveram em uma noite deplorável, desafinando, não alcançando as notas mais altas e mostrando uma total falta de carisma. Era constrangedor ver que muita gente não bateu palmas após grandes sucessos como You’re the Inspiration ou Hard to Say I’m Sorry. Mas o que já era ruim ainda piorou. Bem antes do bis grande parte da platéia já levantava apressada para sair da Arena, o que causou um engarrafamento no estacionamento enquanto ainda rolava o show.

Fim da noite e a constatação de que foi uma benção que as máquinas dos quiosques de camisetas não funcionassem e de que é preciso escolher bem com quais artistas gastar o seu dinheiro. Pelo menos tivemos o America.