George Clooney voando alto – Up in the Air (Amor sem Escalas)

20/01/2010 2 Por Fernando de Oliveira

George Clooney não é o tipo do ator que ganhe muitos prêmios. Ele é um tipo como Richard Gere, que interpreta, na maioria das vezes, o mesmo personagem, cheio de charme, voz calma e que passa pouca emoção. Em Up in the Air – que ganhou o péssimo título de Amor sem Escalas – Clooney vira o jogo e consegue uma interpretação onde equilibra humor e drama, sarcasmo e sinceridade, alegria e frustração, como nunca antes na carreira. Não sei se será suficiente para ganhar o Oscar, mas a indicação ao Globo de Ouro foi mais que merecida.

O ex-médico de ER está na pele de Ryan Bingham, um executivo que tem como emprego viajar pelos Estados Unidos demitindo pessoas de empresas que estão se restruturando ou apenas sofrendo os efeitos da crise econômica. Bingham é fútil, solitário, cínico, charmoso, sem laços afetivos e com um ar de independência que mascara o vazio no qual vive.

Aqui um parêntesis: O filme retrata o pior momento da crise econômica nos Estados Unidos e o personagem principal tem um emprego inimaginável no Brasil. Aqui, os chefes são suficientemente cretinos para dizer na sua cara que a demissão não é algo pessoal. Mas, como em qualquer obra de ficção, essa realidade pode ser transferida para alguém que viaja demais coordenando parte de algum grande projeto ou algo parecido. Fecha parêntesis.

O estilo de vida autômato, sem muito contato com a família, sem o menor vestígio de comprometimento emocional com alguém e a fixação por conseguir um prêmio por um número de milhas voadas, parece perfeito, mas esconde uma alma fria, solitária e vazia. Bem característica das pessoas descoladas, profissionalmente realizadas, que amam sua individualidade e se apavoram com a possibilidade alguma mudança na sua rotina.

A descoberta de uma jovem que pretende modificar o modus operandis de como demitir uma pessoa e o encontro com uma outra empresária que vive uma rotina de trabalho parecida com a sua e com quem se envolve romanticamente, mudam a cabeça de Ryan.

O diretor Jaison Reitman (o mesmo de Juno) consegue juntar uma bela fotografia com doses de humor, drama e romance, na medida certa. Não, o filme não é uma obra prima, mas diverte e até deve fazer muita gente refletir sobre alguns aspectos de suas vidas.

Em quase nenhum momento a película segue pelo óbvio, embora algumas situações até sejam previsíveis, caso você entenda o raciocínio do diretor, que consegue manter a atenção da plateia, que precisa mesmo estar atenta aos pequenos detalhes.

O longa (como sempre) não segue fielmente o livro no qual foi baseado e que tinha um final bem mais pesado, mas a descoberta de que se é um parêntesis, já é dolorosa o suficiente. No fim, Amor sem Escalas acaba sendo um ótimo entretenimento e o elenco (Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick) tem um desempenho muito acima dos padrões encontrados em suas interpretações.

Nota: 8,5



Fotos: Divulgação