Finalmente um texto sobre Michael Jackson

18/07/2009 8 Por Fernando de Oliveira

michael-jackson-youngMichael Jackson se foi. Morto, homenageado e (tomara, embora ache que não) enterrado, finalmente achei que era hora de falar algo sobre ele. Infelizmente Wacko Jacko morreu sem ter conseguido renascer musicalmente ou sem ter a oportunidade de constatar que seu tempo passou, mas que sua contribuição para o mundo da música. Acabou terminando como uma figura bizarra, uma espécie de homem-elefante.

A fama era tão grande que mesmo ainda pequeno já tinha virado desenho animado com os irmão. Jackson 5 no topo do mundo!

Jackson tinha todos os motivos do mundo para ser louco. Não teve infância (trabalhou desde os 5), tinha um pai carrasco e, dizem, tarado e nunca teve a chance de resolver a sua sexualidade.

michael-jackson 1Além disso, os milhões de dólares ganhos com Thriller e a super-mega-hipo-ultra-plus-exposição que ganhou nos anos 80 permitiram que Jacko colocasse todas as suas loucuras em um plano muito mais real e saudável do que o desejado.

Última imagem foi de um bizzaro

Fico triste em saber que, apesar do óbvio estouro nas vendagens após sua morte e da iminente comercialização dos seus últimos ensaios e de dezenas ou centenas de canções inéditas, Wacko Jacko – apelido ganho por suas excentricidades e que detestava – vai acabar sempre lembrado pelo fato de ter sido acusado de comer criancinhas, fama que sentou no colo do ex-astro mirim e que vai sempre pairar sobre sua reputação.

Foram quase 50 anos de muitos sucessos, muitas bizarrices e muito mistério. Canções como I Want You Back, ABC, I’ll Be There, Got To Be There, Ben, Music & Me, Billie Jean e Beat It fazem parte da trilha sonora da vida de qualquer um que tenha vivido os anos 60, 70 ou 80. A transformação para Rei do Pop, após o lançamento do segundo compacto retirado do álbum Thriller Billy Jean – já que o primeiro (o dueto com Paul McCartney, The Girl is Mine) não alcançou o topo das paradas pop (ficou em 2º), um fracasso em termos do que viria a ser Thriller.

Rasteira no amigo Beatle

The Girl Is Mine (USA 7'' SIngle)Aliás, Paul McCartney, Beatles e Michael Jackson sempre causam confusão. Depois de ter gravado outro sucesso com o velho Macca (na época nem tão velho) Michael deu uma rasteira no inglês, em Yoko Ono e comprou os direitos das músicas da dupla Lennon/McCartney. Ato que jamais foi perdoado por Paul e que salvou Jackson da falência pelo menos duas vezes. Imagino que Paul, que uma vez disse: “o Michael Jackson que gravou comigo não se parece em nada com a pessoa que aparece nas fotos” (referindo-se as várias mudanças no rosto do cantor que um dia foi branco), não deva ter ficado de luto com a morte de Jacko.

Os últimos trabalhos foram meio que repetições de uma fórmula que ainda gerou bons filhotes como Bad e Black or White, mas ai, Jacko já tinha se colocado como um marco da Cultura pop, não importa se preto ou branco, certo?

Michael Jackson GrammysClaro que, além da música, Michael soube se utilizar e revolucionar uma linguagem que ainda estava sendo forjada nos anos 80: o vídeo clipe. Nem vou perder tempo aqui descrevendo Thriller, Bad ou falando de suas coreografias e do Moonwalk. Não é necessário.

A verdade é que o Rei do Pop foi inteligente o suficiente para se cercar de nomes de peso e competência como John Landis, Quincy Jones e Paul McCartney para construir o seu império. O que não é pouco.

Uma pena que sua aguardada e esgotada turnê só possa ser vista em um futuro DVD que corre o risco de se transformar em um produto caça-níquel, pior do que a pior previsão de algum crítico mal-humorado.

Tomara que não!

R.I.P. :29/8/58 — 25/6/09