Que PIB, que nada! O negócio é Roberto Ribeiro e Paulo Diniz

20/09/2008 4 Por Fernando de Oliveira

O F(r)ases da Vida, assim como a maioria dos espaços pelos quais sou responsável, é um espaço democrático. Sendo assim, abro espaço para a crônica de uma amiga querida.

Comentem, comentem!

Que PIB, que nada! O negócio é Roberto Ribeiro e Paulo Diniz (**)

Marion Monteiro (*)

Neste sábado cinzento no Rio de Janeiro, depois de uma semana de alta dos juros, de PIB e “robustos” resultados da economia brasileira, nada melhor do que ouvir, com fervor religioso, ou até como ato de contrição, o sambista Roberto Ribeiro, cara e coração do Império Serrano.

Muitos podem discordar, com toda a razão. Entendo pouco de samba, mas considero Roberto Ribeiro o maior sambista de muitos tempos. Uma perda. Morte trágica. Os mais jovens desconhecem a excelência de sua voz, o repertório “robusto”, o cadenciado, o xote, o samba de roda, o pagode, o vozeirão. Um intérprete de primeira linha, mas que anda esquecido atualmente nas rádios e lojas de CDs.

Mas ninguém nunca vai cantar o samba-enredo “Estrela de Madureira”, de Acyr Pimentel e Cardoso, como ele, que não tinha vergonha nenhuma de ser chamado de puxador de samba, pois sempre soube que era bem mais do que isso. Um intérprete magistral do maior samba-enredo de todos os tempos, esse do Império Serrano. (Muita gente pode discordar, porque, digo mais uma vez, não entendo nada de samba, só das pretinhas, não do samba, mas do computador).

Um recado para o blog: continuo mangeirense xiita como você, viu Vicente? Mas ouvir o canto visceral de Roberto Ribeiro em tempos de Selic, de PIB, de casamento de atriz global e de Furacão Ike virou um oásis. Nada mais do que um som que ameniza a fúria. Isso remete a um outro intérprete e compositor genial mais ainda esquecido pelos velhos e novos e pelos seus colegas do meio (ou fim) musical: o piauiense Paulo Diniz. Cadê você?

Há anos, as informações sobre o paradeiro de Diniz davam conta de que ele estaria muito, mas muito doente num hospital em Niterói. Cadê a gravadora? Cadê os amigos? Onde está Paulo Diniz, maravilhoso cantor de voz anasalada e uma cantiga gostosa? Autor, junto com Baiano Odibar (creio eu) de músicas inesquecíveis: “Um chope pra distrair”, ” Pingos de amor” e ” Piri Piri”. Cântico delicioso.

Cadê você, Paulo Diniz? Me emociono sempre quando ouço “Bahia Comigo”, também em parceira com Odibar. Cadê você, Paulo Diniz?

(*) Marion Monteiro é jornalista
(**) Texto originalmente publicado no Blog do Vicente, no jornal Correio Brasiliense em 13/09/08