Harmonizando com senso de humor

01/10/2011 0 Por Fernando de Oliveira

Muitas vezes falar de vinho pode parecer chato e algumas vezes as pessoas se tornam sérias demais. Portanto, é um alívio quando nos deparamos com textos leves e bem-humorados como o que reproduzo abaixo.

Aposto que em algum momento, algum produtor de vinho parou e pensou: “essa indústria está muito séria. Olha só essas garrafas e nomes sem graça. Não vou ser assim, quero fazer algo diferente”. Foi então que nasceu o Vin de Merde, literalmente Vinho de Merda. Bem, infelizmente não por esse motivo, mas realmente existe um vinho com esse nome. A melhor parte é que dentro dessa indústria considerada tão conservadora, que privilegia a tradição, existem dezenas de outros rótulos tão bizarros e irreverentes quanto o Vin de Merde, que trazem um pouco de humor à bebida.

Quando me deparei com o Vin de Merde – que aliás tem até uma mosquinha no rótulo pra completar a piada – imediatamente comecei uma pesquisa, e o que encontrei foi uma lista de nomes de vinhos inusitados, cada um mais absurdo que o outro. Obviamente eu não poderia deixar de compartilhar com vocês. A quantidade de marcas é surpreendentemente grande, então fui obrigado a selecionar apenas alguns dos mais interessantes neste primeiro momento. Então pegue seu Merlot 2008, encha uma taça e divirta-se!

Mad Housewife (Dona de casa louca)

O vinho perfeito para presentear a mãe ou a sogra. Vem nas variedades Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot e Zinfandel. O nome e design extrovertidos refletem a filosofia da própria marca: “Acima de tudo, vinho deve ser divertido, relaxante e uma coisa que você pode aguardar com expectativa para o final do dia”. Uma olhada no rótulo da bebida e podemos dizer que pelo menos na parte do divertido eles tiveram sucesso. É óbvio que esse vinho é da Califórnia.

Monte dos Cabaços

Mais engraçado do que o nome do vinho é a raiva que os portugueses têm dos trocadilhos que nós brasileiros fazemos. Mas o que importa é a qualidade da bebida, então deixa o cabaço pra lá e aproveite-o nas versões branco e tinto deste alentejano.

Quinta da Bichinha

“Mas doutor…” Quinta da Bichinha é o nome de uma região de Portugal produtora de vinhos em Alenquer e outro exemplo do quanto a língua portuguesa sofreu mudanças no Brasil exclusivamente para sacanear os nossos parentes lusitanos.

Flying Pig (Porco voador)

Seria este vinho a versão suína do Red Bull? Mas note que o porquinho adere de uma alternativa muito mais sofisticada para levantar vôo e usa a tecnologia a seu favor. O rótulo é simplesmente perfeito. Quem consegue resistir a um vinho com um desenho de um porco impulsionado a foguetes? NINGUÉM! Cortesia dos nossos companheiros norte-americanos,é claro.

USB(Port)

Como legalmente nenhum vinho pode ter “Porto” ou “Port” (em Inglês) no nome sem que seja de Portugal, a produtora americana Peltier Station encontrou uma solução criativa para o problema. Nomeou seu Zinfandel de sobremesa como USB. Em inglês, porta/entrada USB é USB Port. A jogada acabou rendendo um rótulo à lá Tron, com uma árvore desenhada em código binário e raízes que imitam o símbolo da entrada USB. A parte de trás do rótulo ainda traz um pequeno texto de teor irônico que além de utilizar termos com iniciais U, S e B, substitui a palavra “port” por trechos sublinhados, como se tivesse sido censurado, e termina dizendo “missão cumprida”. Concordo.

Fat Bastard (Bastardo Gordo)

Esse já é um favorito dos consumidores. É um vinho francês, mas voltado totalmente para o mercado consumidor norte-americano. Quando dois amigos produtores decidiram provar um vinho experimental que estava em uns barris ao fundo da adega, o resultado foi inesperado. Um deles ficou surpreso com a qualidade e exclamou “Now this is a fat bastard!” Depois que decidiram produzir comercialmente o tal vinho, não existia outra possibilidade de nome. Hoje, o Fat Bastard faz grande sucesso nos Estados Unidos, vendendo 400 mil garrafas por ano, auxiliado pelo baixo preço de aproximadamente 11 dólares. Sem dúvida o nome é um dos responsáveis pelo sucesso da bebida. Os próprios produtores perceberam que o consumidor americano em geral acha as marcas européias muito elitistas e complicadas, e gosta de marcas bem definidas e mais icônicas. Nisso o Bastardo Gordo acertou em cheio. É irreverente, se destaca e aparentemente não é ruim.

Mommy’s Time Out (O descanso da mamãe)

Esse é provavelmente o meu favorito. Eu já consigo até imaginar o comercial para o vinho. Uma dona de casa sofrendo o dia inteiro com as crianças. Os pirralhos correndo para todos os lados, jogando almofada do sofá para cima, quebrando o vaso de planta da varanda, se recusando a ir tomar banho, etc. De repente ela olha para a garrafa de vinho em cima da bancada e tudo fica melhor. Corta para a mesma dona de casa, agora na varanda, segurando uma taça com o vinho na mão e evidenciando um sorriso satisfeito no rosto, completamente alheia ao caos que os filhos continuam fazendo na casa, obviamente por estar saboreando seu Time Out. Ou talvez porque ela está bêbada. Eu seria um ótimo publicitário. O mais incrível é que esse vinho não vem dos Estados Unidos. É italiano.

Fonte: Winetag
Autor: Vitor Nunes