Encontro Mistral 2010 – Uma festança de bons vinhos (Parte I)

27/06/2010 0 Por Fernando de Oliveira

Quem não gosta de vinhos ou quem gosta e não conhece, uma rápida explicação: o Encontro Mistral é, na minha modesta opinião, o melhor evento de vinhos promovido no país (por uma empresa). Muitos outros chegam perto, mas o catálogo da Mistral (uma das maiores importadoras do Brasil) garante uma quantidade de produtores e um nível de qualidade comparados aos melhores eventos do mundo.

Mas, antes de continuar com os elogios e algumas (poucas) avaliações, uma reclamação: Um evento desse tamanho não pode acontecer durante apenas um dia. Se não há condições de repetir os três dias de São Paulo, que aumente para dois. É impossível experimentar tudo o que queremos em apenas poucas horas (das 17h às 21h30). Ok, o preço era salgado (R$ 290), mas, garanto, vale cada centavo. Nessa versão 2010, foram 111 produtores apresentando seus rótulos. Uma maratona.

Como manda o manual do degustador, devemos começar pelos espumantes e champagnes, indo para os brancos, os tintos e os fortificados e de sobremesa. Infelizmente, não dá para seguir esse roteiro com tantas opções e tão pouco tempo.

Sendo assim, fui nos espumantes e afins, alguns brancos, portos e depois uma seleção de tintos. Para isso, contei com dicas de amigos como o também jornalista e assessor de imprensa Affonso Nunes. Só assim para ir nas boas.

As conclusões foram um tanto óbvias. Os amarones da Masi são sempre sensacionais, Catena Zapata produz tudo com um esmero internacional, Vinhos do Porto continuam sendo o meu fraco, Chardonnays ainda são os melhores e mais versáteis brancos, Pinot Noir continua produzindo vinhos clássicos e castas pouco comuns sempre merecem uma oportunidade.

Provavelmente muitos que estiveram lá vão pensar diferente e isso é a beleza do enomundo.

Espumantes e champagnes

Não tem jeito. Em um local onde há Bollnger, não há como não ir provar alguns dos melhores champagnes do mundo. Citar alguma seria perda de tempo. Todas são sempre ótimas. Com um pouco de perseverança consegui chegar até o stand da Ayala e experimentar mais alguns bons espumantes. Esse era um dos mais concorridos do evento. Entretanto, o destaque ficou com os rótulos da brasileira Vallontano. Vale provar.

Mas os espumantes eram só um início. O negócio iria ficar bom nos brancos.

Chardonnay e outros brancos

Indo para uma das minha paixões, resolvi começar pelos pesos-pesados do nosso continente. Sendo assim, Catena Zapata foi a primeira parada. Embora o meu favorito de todos os tempos (Angelica Zapata) não estivesse lá para ser degustado, o seu (teoricamente) superior, Catena Alta (2007), estava e confirmou o cuidado e qualidade de qualquer produto da bodega argentina.

Do Uruguai, provei o Nativa Gran Reserva, mas achei um pouco desequilibrado, com a madeira um pouco presente demais. Mas gostei muito do Nativa Terra Reserva 2008. Um Gewustraminer com muita flor e frescor.

Outra boa surpresa veio da Nova Zelândia. O chardonnay fabricado pela Felton Road é daqueles que merecem se tornar populares, dentro de sua faixa de preço. Um branco do novo mundo com características próprias. Nada de madeira em excesso ou álcool. Gostei.

Dentre os espanhóis, o único que provei foi o Gran Feudo, de Julián Chivite. Ótimo custo/benefício. Uma opção para ocasiões mais despojadas. Daqueles que abrimos numa tarde de sol sem remorsos.

Os italianos não me impressionaram muito. O que deixou a melhor impressão foi uma mistura de chardonnay e viognier da bodega D’Alessandro. O Fontarca IGT 2007 reuniu o melhor das duas castas. Aroma, complexidade e frescor na dose certa. Já foi para a lista de compras.

Portos, sobremesas e etc

Nessa hora já havia encontrado vários amigos perdidos e conclui que não iria aproveitar dos Portos se os deixasse para o fim. Portanto, me armei e troquei o roteiro. Antes dos tintos os doces.

Os dois principais produtores de Vinhos do Porto da importadora (Niepoort e Graham’s) estavam lá e fui logo rever meus adorados engarrafados da Niepoort. Comecei pelos pequenos Ruby DUM e Tawny DEE – que vêm em garrafas de 375ml. O Ruby foi mais certeiro no meu paladar. Bastante frutas maduras e uma harmonia que nem sempre é encontrada em rótulos mais baratos. Depois, provei os Tawnys Junior e Senior, além do LBV 2004, e o 10 anos. Admito que fiquei um pouco decepcionado. Nem o LBV, nem o Junior chegaram perto da complexidade e custo/benefício do Senior. Até mesmo o 10 anos esteve, assim como o LBV, com taninos e álcool um pouco acima do tom.

Já na Graham’s que me acabei. Além de um ótimo papo com o representante, o Vintage 2007 valeu a noite. Ele e o Tawny 20 anos são exemplos do porquê do sucesso desses vinhos, passando por cima de tendências e modismos. Quem puder, não perca a oportunidade O preço (mais de US$ 200) pode assustar, mas é de beber ajoelhado e rezando.

Outros destaques entre os doces – sem contar os Tokaji (da Hungria) que são sempre sensacionais – o Semillion Doux (Catena Zapata) e, principalmente, Muscat de Riversaltes (Domaine Cazes) mereceram anotações no caderno de compras. O francês é de uma doçura e suavidade que só mesmo quem tem séculos de experiência pode conseguir. A gente saliva só em escrever sobre ele.

Ainda falta falar dos tintos, mas eles foram provados após um pit stop para comer alguns queijos, beber água e recolocar o paladar em dia. Portanto, conto sobre os tintos em outro post.

Fotos: Oscar Daud (as boas) e Fernando de Oliveira (as feias)

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