Ringo, o Beatle ‘Paz e Amor’, chega ao Brasil

11/11/2011 0 Por Fernando de Oliveira

Para muitos Ringo Starr é um cara de sorte. Afinal, entrou para a maior banda de todos os tempos pouco antes de chegarem ao topo do mundo. Para outros, ele é peça fundamental na engrenagem que permitiu que talentos como John Lennon, Paul McCartney e George Harrison ficassem tanto tempo juntos. Ainda há os que dizem que ele é uma piada, um músico menor. A verdade é que ele é um dos Fab Four, um dos músicos mais importantes das últimas cinco décadas e que chega ao Brasil pela primeira vez para uma série de shows com a sua All Starr Band (a apresentação no Rio é no dia 15). Veja as outras datas aqui.

Realmente é difícil definir Ringo Starr. Último a entrar nos Beatles e o primeiro a deixar o grupo (durante as gravações do Álbum Branco), o baterista é considerado por muitos como o elemento que aglutinou e domou os egos de seus companheiros de banda. Mais estranho ainda é lembrar que, durante um período de tempo (no início da década de 70), Ringo chegou a fazer mais sucesso que McCartney ou Harrison e principalmente Lennon. Seus LPs e singles vendiam mais e eram mais executadas que as de seus ex-companheiros.

Até mesmo como baterista – apesar de bons trabalhos em canções como A Day in The Life e Rain – Ringo é visto com certa desconfiança. John Lennon, com seu humor ácido disse uma vez: “Ringo não é nem mesmo o melhor baterista dos Beatles”. Porém, quando falava sério dizia: “Ringo é um excelente baterista. Ele não é tecnicamente bom, mas acho que é subestimado como baterista, assim como Paul é subestimado como baixista”.

Entre os fãs das baquetas do senhor Richard Starkey (seu verdadeiro nome) está gente como Phil Collins, Alex Van Halen, Don Was e o ex-baterista do The Who (morto em 1978) Keith Moon.

A personalidade de Ringo também o fez figurinha fácil nos discos dos outros ex-Beatles. George Harrison chegou a dizer que “não há como fazer um disco de um ex-Beatle se o Ringo não tocar nele”. O baterista também foi o único capaz de reunir os Fab Four em um disco solo (Ringo, de 1973).

Boa praça, ele ainda se arriscou como ator em vários projetos de amigos do rock (como Willie and the Poor Boys, de Bill Wyman) e produções cinematográficas. Em uma delas, Caveman, de 1980, acabou conhecendo a atual Sra. Starkey, a linda ex-Bond Girl Barbara Bach, com quem mantém um dos casamentos mais duradouros da música.

O Brasil parece mesmo um destino apreciado pelos ex-Beatles (pelo menos nos últimos meses) – Paul McCartney esteve aqui no fim de 2010, em 2011 e já se fala em novos shows em 2012 – e Ringo faz uma turnê que ainda inclui Porto Alegre, Recife, Brasília e São Paulo. Vale lembrar que George Harrison esteve na Cidade Maravilhosa em 1979 para acompanhar o GP de Fórmula 1 daquele ano. Só mesmo John Lennon não passou por aqui.

Ringo traz sua All Starr Band (uma banda mutante formada por músicos que já tiveram algum sucesso nas paradas). Se a formação atual não é a melhor já reunida pelo baterista (ele já foi assessorado por nomes como Peter Frampton, Jack Bruce, Levon Helm, Billy Preston, Joe Walsh, Dr. John, John Entwistle, Gary Brooker e Greg Lake) ainda é um grupo de músicos super competentes, com destaque para Edgar Winter e Gary Wright, garantindo um acompanhamento de primeira para alguns clássicos dos Beatles. Além de Winter e Wright, a All Starr conta com o guitarrista Rick Derringer, vocalista do sucesso Hang On Sloopy, com a banda The McCoys; Richard Page, que fez parte da banda Mr. Mister e é o cantor de sucessos como Broken Wings; Wally Palmar, fundador da banda The Romantics e intérprete de canções como What I Like About You e o baterista Gregg Bissonette, que entre outros trabalhos, tocou em três discos solo do vocalista do Van Halen, David Lee Roth.

O show de Ringo não é a maratona musical de quase 3 horas apresentada por Paul McCartney pelos palcos do mundo. Sua apresentação passa um poucos dos 90 minutos de uma partida de futebol e Ringo dá espaço para que os membros de sua All Starr mostrem seus talentos. Mesmo assim, o Beatle Paz e Amor não deixa de solar como cantor e (bem pouco) como baterista. O capitão do Submarino Amarelo percorre os Jardins de Polvos com uma Pequena Ajuda dos Amigos e mostra canções como It Don’t Come Easy, Photograph, Back Off Boogaloo, Boys e, claro, as sempre presentes With a Little Help From My Friends e Yellow Submarine, presentes da dupla Lennon e McCartney para o baterista mais simpático do planeta.

Ringo é gente boa, simpático, engraçado, mas que os fãs não esperem apertos de mão ou autógrafos. O ex-Beatle deixou esses hábitos faz muito tempo, desde que descobriu que sua assinatura era vendida por um bom punhado de dólares em sites de leilão dos Estados Unidos.

O show de Ringo e sua All Starr Band acontece neste feriado de 15 de novembro no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, e os ingressos custam entre R$200 e R$500.

Uma carreira de altos e baixos

O fim dos Beatles, em 1970, deixou uma dúvida sobre o futuro musical de Ringo Starr. Se suas primeiras incursões solo foram projetos pouco comerciais e ousados – Beaucoups of Blues (um disco country) e Sentimental Journey (feito apenas com regravações de clássicos da música americana) – seus primeiros lançamentos para valer deixaram para trás os amigos mais talentosos.

Em 1971 e 1972, respectivamente, lançou os compactos It Don’t Come Easy e Back Off Boogaloo, alcançando o primeiro lugar nas paradas norte-americanas.

Já em 1973, o baterista reuniu uma série de amigos para gravar as canções do disco chamado simplesmente de Ringo e que é considerado por muitos o melhor disco solo de um ex-Beatle, rivalizando ou superando obras como All Things Must Pass (de George Harrison), Band On The Run (de Paul McCartney) e Plastic Ono Band (de John Lennon).  Nele, o baterista se aproveitou do talento dos amigos para emplacar vários sucessos como Photograph (escrita em parceria com Harrison), You’re Sixteen e Oh My My, além de juntar Lennon, Harrison e Klaus Voorman (tocando baixo) na gravação da egocêntrica I’m the Greatest (Eu Sou o Maior), escrita por John Lennon.

Depois disso, Ringo ainda lançou o bom Goodnight Vienna (1974) onde repetiu a fórmula de reunir amigos famosos (Lennon, Elton John, Harry Nilson, etc). O single do disco foi uma regravação de Only You (sucesso na voz dos Platters) e que colocou Ringo novamente bem nas paradas. Mas começava aí o fim do sucesso comercial do baterista dos Beatles. De Ringo’s Rotogravure (1976) até Bad Boy (1978), passando ainda por Ringo the 4th (1977), a qualidade das canções e, talvez o excesso de álcool tenham prejudicado os trabalhos de Ringo. Nem mesmo com uma ajudinha dos amigos ele foi capaz de ficar entre os 100 mais das paradas de sucessos.

A morte de Lennon em 1980 foi um baque para seus ex-companheiros, mas parece ter despertado um sentimento de que precisavam homenageá-lo com boa música. Ringo lançou o ótimo Stop and Smell the Roses (1981) onde mais uma vez reuniu amigos talentosos para criar uma coleção de canções que mereciam muito mais reconhecimento do que alcançaram na época. Afinal, Attention e Private Property (Paul McCartney), Wrack My Brain (George Harrison), Drumming Is My Madness (Harry Nilsson) e You’ve Got a Nice Way (Stephen Stills) estão entre as melhores já gravadas pelo baterista. Ringo ainda tentou outra empreitada, sem sucesso, nos anos 80, com Old Wave (1983), mas parece que a ideia de juntar amigos famosos já não surtia o efeito desejado.

Pelo jeito os seguidos insucessos fizeram Ringo dar uma parada para repensar a vida e se livrar do vício do álcool. Seu próximo lançamento só aconteceu em 1992, com Time Take Time, um ótimo disco de rock puxado pela canção Weight of the World. Infelizmente nem o hiato de quase dez anos sem um disco de inéditas parece ter favorecido Ringo, que mais uma vez nem chegou perto de entrar na relação dos mais vendidos.

Ringo passou a lançar álbuns com frequência – Vertical Man (1988), Ringo Rama (2003), Choose Love (2005), Liverpool 8 (2008) e Y Not (2010), além de alguns discos temáticos como  I Wanna Be Santa Claus (1999) – e ainda voltou aos palcos com uma banda que seguia a mesma filosofia de grande parte de seus discos, uma reunião de amigos famosos, criando a All Starr Band, com quem também lançou uma longa série de discos ao vivo.

Saiba o que Ringo tocou em porto Alegre

It Don’t Come Easy
Honey Don’t
Choose Love
Hang On Sloopy  – The McCoys cover
Free Ride – sung by Edgar Winter
Talking in Your Sleep – sung by Wally Palmar
I Wanna Be Your Man
Dream Weaver – sung by Gary Wright
Kyrie – sung by Richard Page
The Other Side Of Liverpool
Yellow Submarine
Frankenstein – The only song without Ringo on stage
Back Off Boogaloo
What I Like About You – sung by Wally Palmar
Rock and Roll, Hoochie Koo – sung by Rick Derringer
Boys
Love Is Alive – sung by Gary Wright
Broken Wings – sung by Richard Page
Photograph
Act Naturally
With a Little Help from My Friends
Give Peace a Chance