Beatles Remasterizados – Primeiras Impressões

09/09/2009 5 Por Fernando de Oliveira

Voltando ao assunto do dia, vou colocar minhas primeiras impressões sobre a nova coleção dos Beatles. Claro que não deu para ouvir tudo com a atenção devida, mas, graças a Internet, já são mais de 48h com alguns discos devidamente queimados.

Enquanto as minhas caixas não chegam (deve demorar um pouco ainda), fiz uma seleção do que achava mais crítico nos CDs originais e separei alguns monos para ouvir. Já dá para ter uma noção de que a música dos Beatles foi reinventada em muitos aspectos.

Defeitos corrigidos

Para saber se o trabalho de remasterização foi realmente bem feito, preferi fazer uma seleção com as canções que sempre me pareceram ruins para compará-las com as novas versões. Um detalhe importante é que faz tempo que deixei de ouvir os CDs oficiais para ficar apenas com as versões feitas por um fã louco e com tempo de sobra, que pegou os melhores vinis já lançados e trabalhou faixa por faixa para construir CDs com o melhor som possível, sempre muito superiores aos lançados em 1988. Seu nome? Dr. Ebbet.

Bem, dito isto, vamos ao que ouvi. Os três primeiros CDs da banda (Please Please Me, With The Beatles e A Hard Day’s Night), originalmente lançados em mono, ganharam peso e brilho. Não que as versões em estéreo sejam melhores (A Hard Day’s Night mono é disparado mais bem mixado), mas vão agradar muito mais ao mercado e aos ouvidos mais jovens, que não conseguem entender o porquê de algo ser lançado em mono nos dias de hoje.

Detalhe: os Beatles só mixavam em mono. Então – com exceção de Let it Be e Abbey Road – todos os sons originais estão nas versões mono. E acreditem, as diferenças são gigantescas.

Voltando ao que interessa, canções como Day Tripper, She Said, She Said e Dizzy Miss Lizzie são exatamente o que todo fã sempre quis: som limpo, nada de drop outs ou excesso de compressão. Pelo que ouvi até agora, Help e Revolver ganharam muito com a remasterização, assim como Abbey Road.

Nada de mp3

A música dos Beatles nunca se deu bem com o mundo digital. Somente os relançamentos dos filmes (Help, AHDN, Yellow Submarine e Magical Mystery Tour) e alguns poucos CDs lançados após 87 é que se beneficiaram da tecnologia. Com várias suítes e músicas ligadas umas nas outras, o som dos Beatles nunca foi com a cara dos mp3, suas separações e compressão. Até porque, como os CDs originais não eram grande coisa, comprimi-los mais ainda é um pecado só aceitável para ouvir no trânsito, entre buzinas e freadas.

Não tente ouvir as canções que originalmente compunham o lado B do Abbey Road em mp3. Se era ruim com o som antigo, deve ficar deprimente com o som bom. Imagine aquele silêncio mortal entre Carry That Weight e The End. Argh!

À medida que for escutando com calma os CDs vou repassando minhas opiniões. Enquanto isso, a splendid time is guaranteed for all. E viva o Álbum Branco Mono!